Resumo da palestra de Lee Vayle
Aparecendo e Chegando
09 de março de 1980
Ideia central
O ponto principal que Lee Vayle procura apresentar é que “Parousia” não significa simplesmente o arrebatamento, mas a Presença pessoal de Jesus Cristo durante um período anterior ao arrebatamento.
Segundo Vayle, muitos fundamentalistas e pentecostais confundem três acontecimentos diferentes:
A Presença de Cristo — Parousia;
A ressurreição dos mortos em Cristo;
O arrebatamento dos vivos transformados.
Para ele, a Presença de Cristo já estaria relacionada à revelação da Palavra e à identificação dos falsos ungidos, enquanto o arrebatamento seria um acontecimento posterior.
1. “Parousia” significa presença, não apenas chegada
Vayle começa com Mateus 24:3:
“Qual será o sinal da tua presença?”
Ele destaca que os discípulos não perguntaram apenas: “Qual será o sinal da tua vinda?”, mas queriam saber qual seria o sinal de que Cristo já estaria presente.
A palavra grega apresentada por ele, Parousia, é interpretada como presença pessoal. Para Vayle, isso indica uma presença que pode ser reconhecida por seus efeitos e sinais, mesmo que Cristo não esteja visivelmente diante das pessoas em um corpo físico.
Ele utiliza também:
1 Coríntios 1:7-8;
1 Coríntios 15:23;
1 Tessalonicenses 4:13-17;
2 Tessalonicenses 2:1.
A conclusão de Vayle é que esses textos não devem ser automaticamente fundidos como se todos descrevessem um único instante chamado “arrebatamento”.
2. A Presença de Cristo antecede o arrebatamento
Vayle argumenta que, em 1 Tessalonicenses 4, Cristo já está relacionado à ressurreição e à transformação dos santos antes do encontro deles “nos ares”.
Ele cita:
“Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.”
— 1 Tessalonicenses 4:16
E:
“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente
com eles nas nuvens.”
— 1 Tessalonicenses 4:17
A interpretação apresentada é que:
Jesus desce;
os mortos em Cristo são ressuscitados;
os vivos são transformados;
depois, vivos e ressuscitados são arrebatados para encontrar o Senhor.
Assim, o arrebatamento seria o resultado final de uma obra que já teria começado na Presença de Cristo.
Vayle também relaciona esse pensamento com:
João 5:25, 28-29 — os mortos ouvem a voz do Filho de Deus e saem dos túmulos;
Daniel 12:1-3 — muitos que dormem no pó ressuscitam;
João 11:43-44 — Lázaro é chamado para fora do sepulcro;
Filipenses 3:20-21 — Cristo transforma o corpo mortal;
1 Coríntios 15:50-52 — os mortos são ressuscitados incorruptíveis e os vivos são transformados.
O argumento é que o mesmo Cristo que ressuscita os mortos também transforma os vivos.
3. A presença de Cristo é reconhecida por um sinal
Vayle usa vários episódios da ressurreição de Jesus para mostrar que a presença física de Cristo nem sempre foi imediatamente reconhecida.
Em João 21:1-7, Jesus estava na praia, mas os discípulos não perceberam de imediato quem Ele era. Eles o reconheceram depois do milagre da pesca.
Vayle também menciona que:
Maria não reconheceu Jesus imediatamente no jardim;
os discípulos no caminho de Emaús não o reconheceram de imediato;
os discípulos o identificaram por aquilo que Ele fazia e revelava.
A partir disso, ele conclui que a presença de Cristo é identificada por um sinal, por uma obra e por uma manifestação da Palavra, e não simplesmente pela visão física de uma pessoa.
Ele relaciona isso a Mateus 24:3, afirmando que o “sinal do Filho do Homem” seria o próprio Filho do Homem identificando sua presença por aquilo que realiza.
4. O grande sinal da Presença: falsos cristos e falsos profetas
Uma das partes mais importantes da palestra é a interpretação de Mateus 24.
Jesus advertiu: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane.”
“Porque
muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a
muitos.”
— Mateus 24:4-5 Também disse: “Surgirão falsos
cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios
que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.”
— Mateus 24:24
Para Vayle, esses falsos ministros não seriam ateus declarados. Eles seriam pessoas religiosas, aparentemente cristãs, dotadas de sinais e manifestações espirituais, mas desviadas da Palavra.
Por isso, ele relaciona Mateus 24 com Mateus 7:15-23:
“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.”
E: “Por seus frutos os conhecereis.”
Na interpretação de Vayle, o falso profeta possui aparência cristã e pode até realizar sinais, mas sua natureza e sua doutrina revelam que ele é contrário à verdade.
5. Sinais verdadeiros não são suficientes para provar a verdade
Vayle insiste que sinais e maravilhas, por si só, não comprovam que uma mensagem é verdadeira.
Ele utiliza Mateus 7:22-23:
“Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?”
Mesmo assim, Jesus responde:
“Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”
Portanto, para Vayle, alguém pode:
profetizar;
expulsar demônios;
realizar maravilhas;
falar religiosamente;
e ainda assim estar fora da Palavra.
O critério definitivo seria o fruto, entendido principalmente como a fidelidade à Palavra revelada.
6. A árvore da Vida e a Palavra pervertida
Vayle relaciona os falsos profetas à árvore do conhecimento do bem e do mal, apresentada em Gênesis.
Ele entende que o problema não é simplesmente a ausência total da verdade, mas uma mistura de verdade com erro. O falso ministro não negaria necessariamente toda a Bíblia; ele apresentaria a Palavra de forma parcialmente correta, porém pervertida.
Por isso, Vayle afirma que o erro religioso pode ser muito parecido com a verdade. Ele usa a ideia de que Satanás pode transformar-se em anjo de luz e que seus ministros podem aparentar ser ministros de justiça, conforme 2 Coríntios 11:13-15, embora essa passagem específica não apareça desenvolvida no trecho fornecido.
7. A ligação com 2 Tessalonicenses 2
Vayle considera 2 Tessalonicenses 2 uma passagem fundamental.
Ele cita:
“Rogamo-vos, porém, irmãos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele.” — 2 Tessalonicenses 2:1
Em seguida, Paulo fala da manifestação do homem do pecado:
“Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado.” — 2 Tessalonicenses 2:3
E ainda: “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira.” — 2 Tessalonicenses 2:9
Vayle interpreta essa passagem da seguinte maneira:
primeiro ocorre uma apostasia;
surge uma manifestação religiosa contrária à verdade;
aparecem sinais e maravilhas;
muitos são enganados;
a condenação ocorre porque as pessoas não receberam o amor da verdade.
Ele
destaca especialmente: “Porque não receberam o amor da verdade
para se salvarem.”
— 2 Tessalonicenses 2:10
Para Vayle, esse versículo mostra que a questão decisiva no fim dos tempos não é apenas possuir dons ou manifestações, mas amar e permanecer na verdade da Palavra.
8. O papel da mensagem de William Branham
No trecho apresentado, Vayle fundamenta sua interpretação naquilo que afirma ter aprendido com William Branham.
Ele menciona especialmente os sermões e temas:
“Os Ungidos dos Últimos Dias”;
“Os Falsos Ungidos”;
a identificação entre a verdade e a Palavra;
a diferença entre o verdadeiro Ungido e os falsos ungidos;
a necessidade de distinguir a realidade espiritual da imitação religiosa.
Vayle afirma que Branham ensinou que, no tempo do fim, haveria pessoas com uma unção religiosa verdadeira em aparência, mas que estariam fora da Palavra. A diferença não seria necessariamente visível por manifestações sobrenaturais, mas seria revelada pela doutrina e pelo fruto.
A ideia que Vayle atribui a Branham pode ser resumida assim:
O falso ungido pode possuir sinais, poder e aparência cristã, mas não permanecerá na Palavra completa.
Vayle considera essa mensagem essencial para reconhecer a Presença de Cristo, porque a Presença verdadeira seria acompanhada pela revelação da Palavra, enquanto a imitação produziria confusão, erro e engano.
9. A luta final seria entre a verdade e a mentira
Para Vayle, o conflito do tempo do fim não é meramente entre religião e irreligião. É entre:
Cristo e anticristo;
verdade e mentira;
a Palavra original e a Palavra pervertida;
a verdadeira unção e a falsa unção;
a realidade espiritual e a imitação religiosa.
Ele resume a questão com a ideia de que o anticristo não apareceria necessariamente negando tudo o que é cristão. Pelo contrário, seria uma imitação muito próxima, capaz de enganar quase todos, exceto os “eleitos”.
Por isso, ele insiste que a segurança da Igreja não está em seguir sinais, emoções, fama ministerial ou instituições, mas em permanecer na Palavra verdadeira.
O “supra sumo” da palestra
Em síntese, Lee Vayle tenta provar que:
A Parousia é a Presença pessoal de Jesus Cristo antes do arrebatamento. Essa Presença é identificada pela revelação da Palavra e pelo contraste entre a verdade de Cristo e os falsos ungidos que surgem no tempo do fim. Os sinais, milagres e manifestações não são suficientes para provar que alguém pertence a Deus; o critério é o fruto e a fidelidade à Palavra. A ressurreição e a transformação dos santos acontecerão pela ação de Cristo, culminando no arrebatamento.
A estrutura bíblica usada por ele é principalmente:
Mateus 24:3-5, 23-28 — o sinal da Presença e os falsos cristos;
Mateus 7:15-23 — falsos profetas conhecidos pelos frutos;
1 Coríntios 15:23, 50-52 — ressurreição e transformação;
1 Tessalonicenses 4:13-17 — ressurreição dos mortos e arrebatamento dos vivos;
2 Tessalonicenses 2:1-12 — apostasia, homem do pecado, sinais falsos e rejeição da verdade;
João 5:25-29 — a voz de Cristo chamando os mortos;
Daniel 12:1-3 — ressurreição dos que dormem no pó;
Filipenses 3:20-21 — transformação do corpo;
João 21:1-7 — reconhecimento de Cristo por aquilo que Ele realiza.
A tese de Vayle, portanto, é que o verdadeiro sinal da Presença de Cristo não é simplesmente uma aparição física nem uma manifestação espetacular, mas a identificação de Cristo através da Palavra revelada, em contraste com toda falsificação religiosa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário